A Adico foi fundada em 1920 pelo Comendador Adelino Dias Costa.

Adelino Dias Costa, foi um dos maiores industriais do seu tempo, tendo, como vulgarmente se costuma dizer, subindo a corda a pulso. Natural de Avanca, no concelho de Estarreja, onde a Adico tem a sua sede, desde tenra idade mostrou um apetite empreendedor invulgar para a época e para o meio onde nasceu e cresceu.
Seu pai tinha uma pequena serralharia caseira, onde Adelino deu os primeiros passos na arte e ganhou gosto por este ofício. Com apenas dez anos, e à semelhança do que acontecia com muitos dos seus conterrâneos, logo pensou em emigrar para o Brasil, de onde chegavam notícias de gente que tinha conseguido melhores condições de vida, uma terra em que os horizontes eram melhores do que na sua localidade, com uma população maioritariamente camponesa e de baixa instrução.

E, de facto, ajudado por um tio, Adelino Dias Costa rumiu a terras de Santa Cruz com apenas doze anos. Começava, assim, o sonho de construir algo de importante, que encontrou as primeiras barreiras já em Belém do Pará. O pequeno emigrante, vítima de uma doença tropical, foi aconselhado a regressar à sua Terra Natal.

Passaram-se dois anos e a reabilitação do seu estado de saúde só foi possível graças a uma força interior invulgar que lhe deu ânimo para prosseguir na saga empreendedora de ir em busca dos seus sonhos. Adelino aconselhou-se com o seu pai e explicou-lhe que estava talhado a ser serralheiro e que queria entrar na oficina da sua terra, onde encontra-se um mestre a valer de quem aprendesse todos os segredos de trabalhar o ferro. Seu pai tentou demovê-lo, argumentando que a pequena serralharia que tinha dava apenas para pequenos gastos e que o trabalho no campo era, ainda assim, a fonte de rendimento. Adelino passou os dias da sua adolescência entre azáfama do cultivo, ao mesmo tempo que ia trabalhando peças para a lavoura na banca e forja da serralharia do seu pai.

Com vinte anos casou-se, ganhou outro tipo de independência em relação aos seus pais, com quem sempre manteve uma excelente relação. Mas haveria de ser chamado a cumprir serviço militar, em 1912. Domiciliou-se em Lisboa, terra de outras oportunidades, onde esperava conseguir dar azo ao seu grande objectivo profissional de vida. Depois de muito procurar conseguiu entrar para a Fábrica Portugal, de modo a poder dar-se como iniciado no fabrico de mobiliário metálico. Cedo deu nas vistas pela forma abnegada e perfeita como trabalhava os materiais e, passado apenas três meses já estava a ser transferido para a conceituada firma Silva & Silva.

No entanto, novo revés. Eclode, em 1914, a I Guerra Mundial e Adelino Dias Costa foi recrutado para prestar serviço nas colónias portuguesas, tendo sido distinguido pelos bons trabalhos efectuados na instituição castrense.

Só quatro anos depois surgiu a paz. O seu exemplar comportamento militar, os vários louvores recebidos e o grau de sargento miliciano faziam crer que o caminho de Adelino Dias Costa pudesse ser a carreira militar. Puro engano. O seu sonho de industrial continua bem vivo. Voltou a Lisboa para recomeçar a sua carreira de artífice na mesma firma, onde deixara grande cartel. Com a experiência começa a criar peças revolucionárias para a época e, em 1920 dá por terminada a sua fase de aprendizagem. Montou uma pequena oficina em Lisboa, onde trabalhou horas sobre horas, o que viria a debilitar o seu estado de saúde. Numa deslocação ao Porto, começou a estudar como se trabahava o fabrico de móveis metálicos no Norte do País.
Gostou do que viu e decidiu lançar-se na sua terra, Avanca, uma fábrica desta indústria: nasce assim a Adico.